Há cerca de dez anos, a actividade jornalística levou-me a Castelo Branco, onde encontrei um amigo que, na altura era director do estabelecimento prisional daquela cidade, e que teve a amabilidade de me convidar a ir jantar à prisão. Comigo estavam o José Carlos Sousa e os saudosos Neves de Sousa e Rodrigo Pinto e lá conversámos com alguns reclusos que nos fizeram companhia enquanto jantávamos.
Lembro-me de, na altura, um dos reclusos ter pedido ao director da prisão para que os autorizasse a beber uma “mini”, já que se tratava de uma noite especial, com visitantes.
O pedido foi deferido atendendo à nossa presença.
Vem isto a propósito de se saber – parece que é do conhecimento geral – que há droga nas cadeias (isto a levar a sério o título de primeira página do JN de hoje, onde se pode ler que “Cadeia admite uso de droga desconhecida na morte de reclusos”.
E aqueles que são condenados (ou aguardam julgamento) por comportamentos menos correctos na sequência da sua habituação ao consumo de álcool, também têm direito a beber na prisão?
Quando oiço falar em troca de seringas na prisão lembro-me logo daquele recluso de Castelo Branco...